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sábado, 20 de maio de 2017

Em resposta a uma mensagem que recebi hoje

(Aqui no fim da gravidez do Vicente)

Olá! Antes de mais, obrigada! 
Se por um lado fico super feliz de poder ajudar, sendo um conforto para alguém que passou pelo mesmo (afinal era esse o objetivo quando criei o blog), por outro fico triste que não o tenhas descoberto mais cedo, pois podia ter sido um apoio enquanto passavas por tudo.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A dor permanece




Há dias o Vicente andava no meu quarto
à procura de qualquer coisa para mexer. Queria uma
qualquer traquinice, já que queria chamar
a atenção, um tanto enciumado da mana.

sábado, 11 de março de 2017

Uma carta à S




Querida S, provavelmente saberás pelos amigos em comum que temos, não tenho problemas em angravidar mas, devido a uma questão genética (que não sabia existir até à primeira gravidez), tenho "dificuldade" em conceber bebés saudáveis. Foram duas gravidezes mal sucedidas e duas muito felizes. Mas na fase inicial, em que nada corria bem, sentia isso mesmo, uma necessidade de partilha, não só de conhecimentos sobre o assunto mas, acima de tudo, de emoções, de apoio, de esperança. Porque nos dá esperança sabermos que não estamos sós. Daí ter criado este blog. 

sábado, 13 de junho de 2015

Dia 10 de Junho

No passado dia 10 faria um ano do nascimento do nosso primeiro filho, o Francisco. Sobre o segundo, não fixamos datas, não chegamos a dar nome ou mesmo saber se era menino ou menina, pois foi embora ainda muito pequenino. Estamos grávidos do Vicente,

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Fé

Sou rija! Sou forte! Tenho garra! Sou uma lutadora feita de uma fibra que é mole e flexível, para que se possa dobrar, ondular e vergar quando preciso, mas nunca partir... Quero e preciso continuar assim, para que me seja possível seguir em frente e continuar nesse caminho que é o meu.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Publicidade

Sabem estes um milhão e quinhentos mil anúncios, que parecem reproduzir-se como coelhos, sobre bebés, o Joãozinho que tem fome a meio da noite e não há leite, pais que fazem declarações de amor a seus filhos a respeito das feiras de bebé, ou das

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os disparates que vou ouvindo...

Já há algum tempo que penso em compilar os disparates que vou ouvindo ao longo deste tempo.
Sei que em inúmeras situacões complicadas da vida as pessoas não sabem o que nos dizer, e esta é certamente é uma delas. Mas acredito que, na maioria das vezes, quando não sabemos o que dizer mais vale não dizer nada, tamanha é a hipótese de só dizermos disparates... Foram alguns os que fui ouvindo ao longo do tempo, mas o mais frequente é quando nos olham com um olhar condescendente e dizem: "É tão nova ainda, vai ver que para a próxima corre bem!"

domingo, 7 de dezembro de 2014

Eu e as outras mães

Estar com outros bebés, em aniversários cheios de outras crianças, ver mulheres grávidas em todos os lugares por onde passamos e nós continuamos na luta para tentar ter o nosso filho... Como é que isso mexe conosco? Já me colocaram essa questão e é claro que é uma dúvida legítima!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Os dois diferentes processos II

Eu era acompanhada numa clínica particular por uma médica que estava de férias, fora do país, e quem me acompanhou nesses momentos mais dolorosos do primeiro aborto foi a minha ecografista,  de outra clínica que trabalha em parceria com a primeira, com quem até criei mais empatia, mas que, por ser filha da primeira, não me pareceu fazer sentido trocar para a outra... Não houve grande empatia com esta primeira médica, que me foi recomendada por uma grande amiga, e que a adora. Por isso opto por não mencionar nomes. O que é bom para mim não é necessariamente bom para o outro e nada do que aconteceu podia ser evitado e nunca fui negligenciada, antes pelo contrário! Tenho certeza que fui muito bem seguida e que, muito provaventeme, tudo foi descoberto com rapidez e profissionalismo, muito mais do que em vários outros locais onde pudesse ter sido acompanhada! Mas, não houve empatia. O meu marido, desde início, também não ficou muito satisfeito e, depois de tudo o que aconteceu, foi bom mudar de ares...

Os dois diferentes processos I

Sei que muita gente não entende e não sabe do que se trata quando falamos em processo de aborto. Infelizmente passamos por dois e acho importante explicar no que consiste exatamente, para que se alguém que anda por este blog tenha de passar por isso, possa saber ao que vai... Não vou explicar pormenorizadamente cada etapa, cada dor ou cada situação desconfortável, mas acho mesmo importante saber fisicamente alguns pormenores para que a mulher possa estar preparada. A tranquilidade que é necessária para passar por isso só pode acontecer depois de se saber o que a espera...

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O segundo filho e a luta do casal

Voltamos de férias e poucos dias depois tínhamos a consulta de diagnóstico pré-natal. A consulta foi num hospital público e daí as cerca de 5 horas de espera... Achávamos que íamos conversar com a médica e marcar a biópsia para a semana seguinte e, finalmente, sabermos se seriamos felizes, ou não... Depois dessa espera, meio desesperada, fazemos a eco e a médica diz: não temos boas notícias... A minha resposta, no meio do choro, foi: outra vez não!!! 
Queria ter força e não conseguia, queria me deixar levar pelo choro e não conseguia. Não sabia o que fazer... Havia uma série de recomendações, de coisas que tínhamos de tratar e pensei: vou estar o mais calma e tranquila que consiga, vou tratar do que houver para tratar e depois me permito desabar, e assim foi... Estivemos sempre juntos, sempre a apoiarmos-nos, a dar o espaço que cada um precisa para sentir sozinho, digerir os sentimentos individualmente e voltar para apoiar o outro. É mesmo uma luta, uma busca e um caminho do casal.
Tal como nada acontece por acaso, só nos permitimos entrar no caminho da paternidade quando tínhamos estrutura individual e de casal para enfrentar tudo isso. Sei que é muito complicado de gerir por muitos cassais a perda de um filho, abortos sucessivos ou a dificuldade de engravidar, sei que pode afastar o casal ou a mulher, no meu caso, que tem o "problema", seja ele qual for, pode acabar por se afastar, sentindo que não merece o outro e se diminuindo e ao diminuir-se, torna-se mesmo menor... Outra dificuldade pode ser o não entendimento do outro pelo sofrimento de quem passa pela dor não só psicológica, como física ou o achar-se o maior sofredor e não entender que cada um sofre à sua maneira e todos precisam de apoio... 
Nunca é uma dor ou o sofrimento só de um lado e desde cedo percebi que o meu sofrimento e o dele são claramente diferentes, porque somos diferentes, mas equivalentes porque somos um casal. Não fui só eu que perdi um filho, fomos NÓS, não fui só eu que limitei o meu sonho, a decisão que eu tomar não implica só a minha vida, tem de ser uma decisão a dois. Eu não quis ser mãe, eu quis ser mãe de um filho DELE. Foi, e deve ser sempre e em tudo, uma escolha, uma decisão, uma jornada a dois! É claro que o "esforço" maior está do meu lado porque é no meu corpo que tudo acontece, mas tentei nunca esquecer dele, tentei sempre apoiá-lo e mostrar-lhe, claramente, que entendo a dor dele. Quando estou a sofrer fisicamente ele também sofre por mim, também lhe dói o facto de ver a pessoa qua ama a passar por isso. Esteve sempre, sempre, do e ao meu lado, passou por todas as etapas comigo. Sinto que cresci, que me superei em muita coisa, mas ele não ficou para trás, cresceu e se superou também. Tudo isso pelo que temos passado nos fortaleceu, nos aproximou e a postura dele só me fez e faz amá-lo e admirá-lo cada vez mais. Acho que a diferença entre os que se fortalecem e os que se afastam está aí, no facto de se crescer junto ou só um se superar e o outro não acompanhar  essa caminhada. Mas a "culpa" nem sempre é dos homens que nao se aproximam, também podem ser as mulheres que os afastam... 
Depois dessa segunda perda, estávamos no carro, a caminho de uma consulta, e ele segurou na minha mão com força, olhou-me nos olhos e disse: estamos cada vez mais unidos! Olho para ele cada vez com mais paixão e cada dia mais sei que quero ser mãe de um(ou vários) filho(s) dele, que escolhi a pessoa certa, que não podia ter pedido mais, que tenho mais uma luta pela frente, mas não estou sozinha nessa batalha. Tem sido difícil, mas com ele ao meu lado é tudo tãooooo mais fácil! ;o)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Voltar a tentar

Depois da consulta com a geneticista, depois de ponderarmos as nossas opções, com coragem e muito apoio do meu marido, decidimos que iríamos voltar a tentar... Decidimos que iríamos tirar umas férias e de seguida volta a tentar e deixar nas mãos de Deus,  que o que tivesse de ser seria e que essa decisão iria ficar só entre nós. Decidimos também que eu iria procurar uma psicóloga para me ajudar a acompanhar nesse processo, o que foi uma excelente decisão!